quinta-feira, 20 de novembro de 2008

20 de novembro Consciência Negra

Sou Negrão letra do Rappin Hood para o grupo PossementeZulu
20 de novembro temos que repensar
A liberdade do negro, tanto teve de lutar
O negro não é marginal, não é perigo
Negro ser humano, só quer ter amigo
Na antiga era o funk, agora é o rap
Vem puxando o movimento com o negro de talento
O negro é bonito quando está sorrindo
Como versou Jorge Ben, o negro é lindo

E é por causa disso tudo que estamos aqui
Se falam mal do negro, eu não tô nem aí
Pois já briguei muito, já falei demais
Mas o que o negro quer agora realmente é a paz
Andar na rua no maior sossego
Constituir família, ter o seu emprego
Como Grande Othelo, João do Pulo, BB King e o Blues
Raul de Souza, Milles Davis, improviso no jazz
Pixinguinha e Cartola, velha guarda do samba
Luiz Melodia e Milton Nascimento, dois bambas
Vieram os metralhas como rap abolição
Falando do negro e de sua opinião
Pois, muitos negros já percorreram a trilha do sucesso
Jackson do Pandeiro, Candeia e Aniceto
Kizomba, Festa da Raça com Martinho e a Vila
No ano do centenário, grande maravilha
E a rainha do samba, Clementina de Jesus
Que já partiu pra melhor mas Quelé divina luz
E no futebol, temos rei Pelé
Garrincha de pernas tortas num perfeito balé

Sou negrão, hei
Sou negrão, hou

Luiz Gonzaga era preto, era o rei do baião
Jair Rodrigues disparou no festival da canção
Dener com a bola, mais que um dom
Preto quer trabalhar, não quer meter um oitão
Futuro, presente, passado, realmente jogados
Fizemos a história, perdemos a memória
Temos nosso valor, temos nosso valor
Bob Marley, paz e amor
Diamante negro do gol de bicicleta
Leônidas da Silva, craque da época
O Malcom X daqui, Zumbi temos que exaltar
Em Palmares teve muito que lutar
Martin Luther King com a sua teoria
Estados Unidos o movimento explodia
Apartheid, um por todos e todos por um
Nelson Mandela sem problema nenhum

Sou Negrão, hei
Sou Negrão, hou

Ivo Meirelles, Jamelão e aí Mangueira
Luta marcial, jogar capoeira
Negra mulher, preta Dandara
Leci Brandão, Jovelina, Ivone Lara
Cabelo rasta, dança afoxé
Anastácia e Benedita, muito axé
Djavan e o seu som genial
O rei do balanço, mestre James Brown
Também falando de maninhos que não aceitam revide
Aqui vai o meu alô pra Dj Hum e Thaíde
E a reunião da grande massa black
Acontece aqui, nos versos do samba-rap
Na intenção de ver um dia o negro sorrindo
Gilberto Gil, Tim maia, os símbolos
Não esquecendo de falar de Sandra de Sá
Com os seus olhos coloridos fez a massa balançar

Sou negrão, hei
Sou negrão, hou

DMN decretou o que todos têm medo
É 4P, poder para o povo preto
Não o poder do dinheiro, não a corrupção
Sim o poder do som, Revolusom
Como um solo de Hendrix faz você viajar
Coisa de preto mano, pode chegar
Brother vem dançar porque a dança começou
Vindo do Fundo de Quintal
Mente Zulu chegou e esse é o recado que acabamos de mandar
Pra toda raça negra escutar e agitar
Portanto honre sua raça, honre sua cor
Não tenha medo de falar, fale com muito amor

Sou negrão, hei
Sou negrão, hou

A letra já diz muito. Porém, no Brasil falta muito para o racismo acabar.
Estamos em 2008 e ainda vemos jogadores de futebol ofendidos pela torcida de Norte á Sul no nosso país que é miscigenado.
Nunca vi um governador de algum estado negro, e nunca vi um candidato à presidência negro no Brasil. E ainda muitos falam que o Obama vai mudar o mundo. No Brasil é difícil porque o negro quando fica famoso ele esquece que o preconceito existe.
Tive que ouvir o grande Martinho da vila falar que racismo no Brasil é coisa do passado. Só se for para ele que não tem mais problemas com racismo.
Já o jogador de futebol Felipe goleiro do Corinthians sofreu em Caxias do Sul no Estado do Rio Grande do Sul. Torcedores do Juventude xingaram de tudo que é nome.
Com tempo espero que essa realidade acabe.
Eduardo Siqueira

Um comentário:

Eduardo Ribas disse...

Bela letra postada em seu blog, xará. Concordo contigo, realmente ainda precisa mudar muita coisa. Que esse dia sirva para despertar a consciência de todos, se não de uma vez, pelo menos que seja de forma gradual.

Todos sabem que o racismo existe no Brasil, mas muitos se esforçam para esconder isso...fica mais "aceitável" assim. Quando as oportunidades se igualarem, e o tratamento entre gêneros, etnias e opção sexual de fato forem iguais, talvez ai sim possamos comemorar.

Enquanto isso, temos que saudar Zumbi. Viva Zumbi!